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História e Curiosidades

Da Segunda Guerra ao estrelato: A história do Fusca

O Fusca fez ou faz parte da vida de muitos de nós. Ele transcendeu universos, entrou no imaginário popular, tornou-se ícone cultural e sua história é tão antiga quanto complexa. A notícia de que a Volkswagen deixará de fabricá-lo a partir de 2019, deixou todos os apaixonados por automóveis emocionados. Antes de oficialmente encerrar a produção, a Volkswagen prometeu lançar dois modelos ao mercado, os dois últimos de sua história: um com teto e outro conversível.

E é com esse sentimento de nostalgia que nós do Peça Shop estamos aqui hoje para contar um pouco sobre a história do Fusca. Mas, como nada é perfeito, mesmo a história desse ícone teve origem em uma das épocas mais violentas, sombrias e conturbadas da Humanidade: a era do partido nazista de Adolf Hitler.

As origens (1933-1939)

Adolf Hitler (direita) conferindo o projeto de Porsche.

A Alemanha da década de 1920 era uma das menos motorizadas de toda a Europa. Carro era um item de luxo, ao tempo em que a grande maioria da população tinha que se virar com bicicletas. Diante da natural necessidade de se criar um carro que fosse acessível para quase todos, o engenheiro austríaco Ferdinand Porsche começou a criar protótipos do que viria ser o Fusca que conhecemos.

Em 1933, Adolf Hitler – então chanceler da Alemanha – gostou do projeto de Porsche em fabricar um “carro do povo”. Seria uma alavanca e tanto para aumentar sua popularidade. Hitler então decidiu abraçar a ideia, mas queria que o carro levasse até quatro passageiros, fizesse uma média de pelo menos 13 km/l de gasolina e que, principalmente, fosse realmente barato. Que qualquer pessoa de baixa renda pudesse comprar o seu próprio carro.

Ferdinand Porsche

Assim nasceu o Type 1, rebatizado de Volkswagen (“Carro do Povo” em alemão), cuja fabricação oficial teve início em 1935. Seu imenso sucesso não foi somente pelo preço extremamente baixo (990 marcos), mas também pela sua ousadia de ser equipado com motor refrigerado a ar, sistema elétrico de 6 volts e câmbio seco de 4 marchas. Até então, mesmo os carros de luxo da nata alemã possuíam caixa de câmbio inferiores a 3 marchas.

Em 1939, teve início a Segunda Guerra Mundial pelas mãos do próprio Hitler. O que era para ter sido “o carro do povo” acabou sendo adotado pelo partido nazista, tornando-se veículo militar e usado amplamente pela elite nazista em suas cruéis investidas ao longo de todo o período da guerra. Esse foi o período mais sombrio da história do Fusca e que quase culminou com o seu fim.

Ivan Hirst, o “pai” do Fusca moderno

Major Ivan Hirst

O ano era 1945. Adolf Hitler havia se matado e seu partido nazista havia sido derrotado, encerrando a Segunda Guerra Mundial. A Alemanha foi dividida em zonas que ficaram sob controle dos aliados. A chamada “Cidade KDF”, onde ficava a fábrica da Volkswagen, estava quase que completamente em ruínas devido aos intensos bombardeios que ali se sucederam. Essa zona, controlada pelos britânicos, foi rebatizada de Wolfsburg e ficou nas mãos do Major Ivan Hirst, que resgatou um Fusca em meio aos escombros. Foi amor à primeira vista.

Assim, o Fusca voltou a ser fabricado em agosto de 1945, e aos poucos foi deixando para trás o seu nebuloso passado. O sucesso foi tanto que mais de 4 mil unidades começaram a ser importadas mundialmente. Aterrissou nos Estados Unidos, tornando-se por lá um ícone cultural imediato e chegou em solo brasileiro causando imenso impacto.

O Fusca chega ao Brasil


No dia 11 de setembro de 1950, 30 Volkswagens desembarcaram no porto de Santos. Avaliados em 20 mil Cruzeiros, cada unidade acabou sendo vendida por incríveis 60 mil. Conhecido como “Split Window”, o modelo importado fez tanto sucesso por aqui que o então presidente Getúlio Vargas criou a CDI (Comissão de Desenvolvimento Industrial) e sua comissão visitou os Estados Unidos em busca de montadoras para se instalarem no Brasil. Quem abraçou a causa foi a Chrysler, representada aqui pela Brasmotor (atual Brastemp). Teve início então a montagem do Fusca e da Kombi em nosso país.

Getúlio Vargas ao lado de Lúcio Meira. Outubro de 1953.

A produção nacional começou oficialmente em 1959, com 54% de nacionalização de suas peças. Essa versão trouxe algumas das novidades mais bacanas do mercado, tais como o volante cálice, dínamo de 160 watts, o novo botão de acionamento para maçanetas e aumento de tamanho na janela traseira, passando a ser retangular. A tradicional padronagem interna branco-cinza gelo ganhou variações monocromáticas que iam do azul pastel ao turquesa, do bege havana ao verde berilo.

O Fusca na Cultura Pop

Cena do clássico filme “Se Meu Fusca Falasse” (1968)

O Fusca dominou o mundo e transcendeu universos. Em 1968, o filme dos estúdios Disney “Se Meu Fusca Falasse” (“The Love Bug” no título original em inglês), dirigido por Robert Stevenson, ajudou a popularizar ainda mais o modelo. O sucesso foi tamanho que a franquia contou com outros cinco títulos, o último protagonizado por Lindsay Lohan em 2005.

No Brasil, como não se lembrar, por exemplo, da clássica moda de viola “Fuscão Preto”, gravado por Almir Rogério em 1982 e que virou um filme protagonizado pela Xuxa? O “Rei” Roberto Carlos sempre foi outro apaixonado por carros. Antes da fama, seu sonho era ser mecânico de caminhões. Em 1963, ele comprou o seu primeiro carro: um Fusca 1200 bege fabricado três anos antes, com o qual rodou até meados de 1965, ano em que a Jovem Guarda estourou nacionalmente.

Agora, em seus últimos momentos de vida, o Fusca desperta as mais variadas emoções. De um projeto tomado pelos nazistas a ícone pop mundial, ele estará para sempre em nossos corações.

4 modelos que fizeram história

Fusca Itamar: acabou virando até música pela banda de rock Ultraje à Rigor. O Fusca “Itamar” foi fabricado em 1993 a pedido do então presidente Itamar Franco. Foi um modelo de design mais moderno, mas com poucas evoluções.

 

 

Fusca pé de boi: fabricada entre 1965 e 1966. Estima-se que foram produzidas apenas 3 mil unidades desse modelo. Um clássico indiscutível.

 

 

 

Fusca Baja: surgiu na Califórnia (EUA) em 1970, adaptado especialmente para aguentar trilhas off-road e dunas. Diversas modificações são necessárias para um Fusca Baja ser caracterizado como tal, como suspensão alta e pneus off-road.

 

 

 

Fusca 1600 S (Bizorrão): primeira e única versão esportiva do Fusca, fabricado em 1974. Levava um motor boxer 1.6 com dois carburadores que gerava 65 cv e 12 kgfm de torque.

E aí, gostou do artigo desta semana? Semana que vem tem mais! Deixe o seu comentário para nós.

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